Esta fase do desenvolvimento vegetativo da planta é das mais sensíveis pelo que os cuidados culturais devem ser redobrados. Da mesma forma que o ser humano, nomeadamente as senhoras, são mais sensíveis a qualquer manifestação menos simpática e mais exigente nas atenções gastronómicas, também as videiras devem ter atenção especial neste período.
O início da floração na Bairrada já foi observado a 7 de Maio, designadamente nas castas brancas Chardonnay e Fernão Pires (sinónimo de Maria Gomes na Bairrada) das vinhas da Estação Vitivinícola da Bairrada (EVB). As condições ambientais não são as mais favoráveis ao bom desenvolvimento da floração já que a presença de humidade e a variação de temperaturas baixas e altas ao longo do dia, poderão influenciar negativamente a fecundação e ter algumas consequências negativas ao nível da produção de cachos.
Fig 1 - Início da floração (Chardonnay-EVB)
Por outro lado, em termos sanitários estão também reunidas condições para o desenvolvimento de doenças criptogâmicas (provocadas por fungos) nomeadamente o míldio e o black-rot. Gostaria ainda de acrescentar que este ano os sintomas de black-rot na página superior da folha (manchas circulares de início acinzentadas e depois castanho-claro rodeadas por um halo castanho-escuro - fig.2) começaram por não apresentar este halo mais escuro o que poderá confundir o viticultor menos atento pois à primeira impressão os sintomas são semelhantes aos do míldio. Na primeira semana de Maio já foram observadas muitas vinhas com os sintomas típicos desta doença e com uma intensidade maior à observada no ano transacto, nesta data.
Fig 2 - Dois sintomas de Black-rot em fases distintas
Muito embora esta doença ainda não seja suficientemente bem conhecida, sabe-se, quer de estudos feitos em Portugal (Rego C. and Oliveira H. 2007) quer de algumas referências de autores estrangeiros (Dubois, 1999 e Harms et al., 2005) que o enxofre, o dinocape e o cobre não são eficientes para o seu controlo.
Os cuidados a ter nesta fase devem concentrar-se no bom arejamento da vinha e da videira e numa eficaz protecção sanitária, designadamente:
- manter a vinha com vegetação rasteira;
- retirar atempadamente todos os lançamentos supérfluos à videira ("ladrões", lanç. mal posicionados, lanç. duplos e triplos, lanç. pouco desenvolvidos em relação aos restantes...);
- usar, nos tratamentos fitossanitários, produtos anti-míldio e/ou anti-oídio que também possam combater o black-rot como os que pertencem aos seguintes grupos químicos:
- grupo químico estrobilurinas:
Cabrio-top e Quadris (anti-mildio e anti-oidio),
Stroby, Flint (anti-oidio)
- grupo químico ditiocarbamato:
Mancozebe (anti- mildio)
- grupo químico Azol: (anti-oidio).
Systane, Libero-top, Horizon, Douro, Topaze, Olymp 10 EW,
Collis, Pencol entre outros
Concerteza que existem ainda mais produtos pertencentes a este grupos químicos, todavia o propósito de nomear produtos comerciais pretende apenas informar de uma forma simples e pragmática soluções para o combate desta doença e não fazer qualquer tipo de publicidade a uns produtos em detrimento de outros.
Se estiver interessado em aprofundar os seus conhecimentos relativamente ao Black-Rot recomendo a leitura de:
- Dubois, B., 1999 Maladies cryptogamiques de la vigne. Champinhons parasites des organes herbacés et du bois de la vigne. Ed. Féret, Bordeaux, 174 pp.
- Harms, H., Holz, B., Hoffmann, C., Lipps, H.- P., Silvanus, W. 2005. Ocurrence of Guignardia bidwellii, the casual agent of Black-Rot on grapevine, in the vine growing areas of Rhineland-Palatinate, Germany. In International Symposium on Introduction and Spread of Invasive Species, 9-11 June, Humboldt University, Gerlin, Germany.
- Rego C. and Oliveira H. 2007 Black-Rot da videira causada por Guignardia bidwellii,. Actas do 7º Simpósio de vitivinicultura do Alentejo, 23 e 25 de Maio, Évora, 107-114.