A Primavera, à semelhança
das restantes estações do ano, ocupa um período de, aproximadamente, três meses
e são marcadas por solstícios e equinócios.
As estações do ano
associam-se ao ciclo anual das plantas, especialmente às que são cultivadas. O
Inverno é para a planta o tempo de repouso em que poupa as suas energias; a
Primavera, símbolo da vida e da fecundidade, é o tempo de plantio e de
germinação (início de crescimento); o Verão, tempo mais
quente, é o período de crescimento e de início de maturação; já o Outono nos
traz, por fim, a colheita.
A precipitação ocorrida neste
Inverno e no início da Primavera atrasaram os trabalhos vitícolas tanto de poda
e empa como de incorporação de adubos e correctivos, de herbicidas e eliminação
de infestantes na linha. Os viticultores que vão plantar este ano também têm os
trabalhos mais dificultados pela quantidade de chuva que tem ocorrido.
Por outro lado as videiras este ano abrolharam
cerca de 1 a 1,5 semanas mais tarde e, principalmente nas castas brancas, quer
parecer que a nascença é muito boa.
Foto 1: Videira no estado fenológico de cachos
separados
Depois das chuvas
invernais aparece-nos uma Primavera mais seca e com as temperaturas a aumentar,
originando assim um rápido desenvolvimento das videiras chegando, em algumas
castas brancas mais precoces, a ter pampanos com mais de 40 cm e já no estado
de cachos separados
Nesta data é importante ter
a vinha preparada para minimizar o aparecimento de doenças e potenciar o seu
desenvolvimento vegetativo, para isso é importante começar a eliminar todos os
lançamentos indesejáveis, os ramos ladrões situados na base e ao longo do
tronco, os rebentos localizados na parte de baixo dos braços, na poda curta, e
depois da passar a data de provável incidência de geadas, deve-se eliminar a
rebentação múltipla elegendo apenas um lançamento por cada gomo. As infestantes
devem já estar cortadas ou eliminadas para, principalmente, facilitar o
arejamento e limitar o aparecimento de doenças e a ocorrência de geadas
primaveris frequentes em
muitas
vinhas da Bairrada.
Outro aspecto curioso
verificado este ano, é que só na última semana de Abril se observaram manchas
primárias de míldio e sintomas de black-rot.
Foto 2:
Sintomas de black-rot na folha
Em relação ao oídio e com as condições ambientais
existentes é importante proteger a vinha desta doença. É normal o viticultor
aplicar enxofre, quer em pó quer misturado com água, para combater o oídio.
Ainda
existem viticultores que utilizam a enxofradeira manual também conhecida por "martelo"(utensílio em lata que leva
o enxofre em pó e com o movimento semelhante ao de um martelo, vai-se aplicando
o enxofre)
para aplicar enxofre em pó que é feito manualmente videira a videira.
A condução da vegetação,
designadamente a orientação vertical da vegetação e a sua colocação nos arames
pareados, quando existem, é outra operação que já esta a ser iniciada nas
vinhas mais desenvolvidas da Bairrada. Relembra-se que a oportunidade de
intervir é crucial para o sucesso de qualquer intervenção em verde pois como a
planta está numa fase de crescimento vegetativo não é indiferente a data de
realização destas operações para o seu sucesso.